Tudo que Você Precisa Saber sobre O Mito das Gorduras Saturadas

É muito comum as gorduras saturadas serem condenadas por todos com frases como: “você come bacon? Mas bacon faz mal…”, “pode comer o frango, mas tem que tirar a pele…”, “cuidado com a gordurinha da picanha, vai ‘atacar’ seu coração”. As próprias diretrizes alimentares condenam as gorduras saturadas!

Mas o que os estudos científicos nos falam sobre isso? Será que as gorduras saturadas fazem tão mal assim? Será que ela esta intimamente ligada a doenças cardiovasculares? E se eu te contar que boa parte das diretrizes alimentares não são baseadas em atualizações dos estudos científicos. Mas, sofrem forte influência da indústria alimentícia e farmacêutica, além de influência governamental, parece mentira não é?

Você pode pensar: “esse Vitor só pode estar louco, esta parecendo aquelas teorias da conspiração malucas”…bem, as conclusões vocês mesmos vão tirar, depois que eu te mostrar aqui embaixo, o que os estudos dizem sobre as gorduras saturadas.

Vamos lá?

Onde Tudo Começou:

A “teoria lipídica” que foi construída pelo cientista Ancel Keys no ano de 1953 afirmava que existia uma relação direta entre a quantidade de gordura e colesterol da dieta alimentar com as doenças cardiovasculares. Para basear essa teoria ele publicou um estudo com 6 países onde mostrou que nos EUA por exemplo, a quantidade de consumo de gordura era alta e a mortalidade por doença cardiovascular também, já no Japão, o consumo de gordura era baixo e a morte por doença cardiovascular também…os outros 4 países apresentados nesse estudo seguiam essa linha, quanto maior o consumo de gordura, maior o número de mortes por doença cardiovascular.

Porém esse estudo tem MUITOS problemas metodológicos, anos depois descobriram que a base do estudo foi feita com 22 países, porém ele só utilizou os 6 que lhe convinham. Ele escondeu, por exemplo:

– Países com muito consumo de gordura e baixa incidência de doenças cardiovasculares, como a Holanda e a Noruega;

– Países com baixo consumo de gordura e alta incidência de doenças cardiovasculares, como o Chile.

Interessante não é mesmo?

Outro detalhe importante é que o consumo de gordura era calculado pela quantidade de gordura disponível no país, seja essa utilizada pra consumo alimentício ou pra fabricação de sabão por exemplo. Ou seja, utilizou uma fonte pouquíssima precisa e confiável.

Por fim, o mais interessante sobre este estudo! Anos depois, pegaram os dados dos 22 países e fizeram a correlação das mortes por doença cardiovascular com consumo de açúcar, ai sim, os dados mostram uma correlação forte. E ai, o que acham disso?

Ah, o açúcar:

Por falar em açúcar, a pouco tempo saiu um artigo, onde mostra que um pesquisador da Universidade da Califórnia encontrou importantes documentos, mostrando que nos anos 50 e 60,  a indústria açucareira pagava uma bela quantia em dinheiro para cientistas minimizarem a ligação deste com as doenças cardíacas, para isso eles deveriam promover as gorduras saturadas, ai invés do açúcar. Agora as peças começam a se encaixar não é?

Antes de continuar o post, gostaria de fazer um convite. A Citius montou um programa completo de emagrecimento. Feito para você que quer emagrecer de forma simples, eficiente e para sempre. Clique na imagem abaixo e confira:

Voltando ao assunto…

Quais foram as consequências da restrição de gordura e aumente do consumo de carboidratos?

A imagem fala por si só. Desde o começo das diretrizes alimentares americanas, que prega uma dieta pobre em gorduras, a porcentagem de pessoas com obesidade ou sobrepeso na população dos EUA tem aumentado drasticamente. Será apenas uma coincidência?

Se diminuirmos um grupo de alimentos da dieta, por regra outro grupo de alimentos tem seu consumo aumentado, que no caso foram os carboidratos! Entre os anos de 1977 a 2000, os americanos duplicaram a ingestão de açúcar.

Será que esse aumento da obesidade tem a ver com o aumento do consumo de carboidratos e de açúcar na dieta? E o baixo consumo de gorduras? Novamente, deixo para vocês concluírem o que acham!

Historia dos Massai

Antes de continuarmos, imagine você se alimentar apenas de carne vermelha e leite integral. Uma dieta composta por 60% de gorduras, sendo em torno de metade dessa quantidade de gordura, basicamente de gorduras saturadas. Provavelmente você estaria morto não é? Já teria tido um derrame, ou uma artéria entupida, estaria vivendo a base de estatinas (remédio para colesterol), correto?

Bem, um cientista, Gerge Mann, da Universidade de Vanderbilt resolveu estudar sobre os Massai, uma tribo africana nômade, que vivia no Quênia e Tanzânia. Ele descobriu que os Massai comiam exatamente esta dieta (carne vermelha e leite integral) e os membros dessa tribo eram bastante magros, tinham níveis de colesterol baixíssimos e, além disso, eram livres de doenças cardiovasculares.

A principio se pensou, “mas a genética desses homens deve ser diferenciada”! Bem, alguns cientistas britânicos monitoraram os Massai que se deslocaram da tribo e foram morar em Nairobi, na cidade grande e que acabaram alterando sua dieta para uma “dieta moderna”, e o que aconteceu? O colesterol desses integrantes dos Massai disparou. Interessante não é?

E esse não foi um caso isolado, casos parecidos aconteceram com estudos sobre as tribos Fulani da Nigéria e Samburu, também do Quênia.

Então, o que os estudos mostram sobre a ligação de gorduras saturadas e doenças cardiovasculares:

A partir da hipótese criada pelo Ancel Keys e a inclusão da mesma nos Guidelines (diretrizes alimentares), surgiram vários estudos para comprovarem tal hipótese. Vou citar aqui abaixo dois ensaios clínicos randomizados (o mais alto nível de evidência científica), em que utilizaram uma quantidade imensa de pessoas com objetivo de traçar a correlação entre o consumo das gorduras saturadas e as doenças cardiovasculares, vamos lá:

MRFIT:

1- O primeiro, é o MRFIT (Multiple Risk Factor Intervention Trial), um estudo que recrutou 12.866 homens considerados de alto risco cardiovascular. Os sorteou em dois grupos, um grupo controle (onde não fizeram nenhuma orientação) e um grupo que foi orientado a cessar o tabagismo, tratar a hipertensão e consumir uma dieta para baixar o colesterol. As orientações da dieta eram: reduzir as gorduras saturadas para menos de 10% das calorias, colesterol na dieta para menos de 300mg e aumento das gorduras poli-insaturadas para 10% das calorias. E sabe quais foram os resultados? SETE anos depois, não houve nenhuma diferença estatisticamente significativa na mortalidade entre os grupos.

WHI:

2- O segundo é o WHI (Women’s Health Initiative), – foram gastos 725 milhões de dólares na condução deste estudo – feito apenas com mulheres, com 48.835 mulheres. O objetivo era avaliar o efeito de uma dieta pobre em gorduras na saúde cardiovascular e na incidência de câncer de mama. As participantes do estudo foram orientadas a consumir menos gordura e mais vegetais e frutas. OITO anos depois, a dieta pobre em gorduras, não teve efeito significante em nenhum dos itens estudados: Câncer de mama, todos os cânceres, doença cardíaca, conjunto das maiores doenças crônicas ou mortalidade total.

O que esses dois estudos querem dizer? Foram 2 gigantes tentativas de provar a hipótese da correlação de gordura saturada e doença cardiovascular sem sucesso. Mas não vamos parar por aqui, tem mais estudos para falarmos!

Mais estudos:

Em 2001 foi publicada uma metanálise (reunião de vários estudos científicos), unindo 27 estudos sobre o tema gordura na dieta e morte por doença cardíaca. Nesta metanálise, foram reunidos estudos que no total somavam mais de 30 mil pessoas, e sabe qual foi a conclusão? Não houve nenhuma diferença entre as pessoas que restringiram gordura na dieta e as que não restringiram.

Eu podia ficar aqui, horas e horas falando de centenas de estudos, mas não vem ao caso, se quiserem mais estudos sobre o assunto, basta pedir por e-mail que nós enviamos! Mas o que quero mostrar, é que de acordo com a literatura científica, simplesmente NÃO HÁ correlação entre doença cardíaca e consumo de gorduras na dieta.

Não, comer mais gorduras saturadas não irá entupir suas artérias, não irá piorar a saúde do seu coração.

Mas antes de acabar esse assunto, vou lhes mostrar um estudo que nem publicado foi. O estudo reunia 7500 pessoas sem doença cardíaca, mas que tinham um risco aumentado. Estes foram divididos, uns faziam dieta de baixa gordura, e outros faziam uma dieta mediterrânea com mais gordura (aqui foi subdividido, uns comiam mais gordura de nozes e sementes e outros, de azeite de oliva). Sabe por que o estudo não foi publicado? Ele teve que ser interrompido, porque muitas pessoas estavam morrendo no grupo que consumiam uma dieta pobre em gorduras.

As linhas coloridas são referentes as duas vertentes da dieta mediterrânea, e a linha preta referente a dieta de baixa gordura, em 5 anos, 30% mais pessoas estavam morrendo com a dieta de baixa gordura. Aconteceu exatamente o contrário do que era o objetivo dos autores do estudo, por isso ele foi interrompido!

O caso dos Franceses

Vou contar mais um caso prático para vocês! A França é o país onde a população consome a maior quantidade de gorduras entre todos os países europeus. Mais de 40% da dieta dos franceses é baseada em gorduras. Em contrapartida os franceses têm um baixíssimo número de mortes por doença cardiovascular, simplesmente o menor da Europa. É isso mesmo, o país que consome mais gordura, é o mesmo em que poucas pessoas morrem de doença cardiovascular. Essa correlação entre gorduras e risco cardiovascular, só pode estar errada não é mesmo?

Colesterol

Colesterol talvez seja a parte mais complexa para discutirmos. Caberia um outro post gigante sobre o assunto. Não vou aqui explicar os detalhes sobre as partículas HDL, LDL, VLDL…vou apenas chamar atenção a dois fatos e cabe a você refletir sobre eles:

1- Diversos estudos mostram que o aumento do colesterol não esta intrinsecamente associado ao risco de morte por doença cardiovascular. O que isso quer dizer? Muitos estudos mostram que algumas intervenções diminuem o colesterol, porém não diminuem as mortes por doença cardiovascular. Talvez o colesterol não seja um marcador tão bom assim, correto?

2- As estatinas (remédio para colesterol) é o produto mais vendido da história, gera lucros estrondosos pra indústria farmacêutica todos os anos.

Cabe a você tentar interligar esses fatos e refletir sobre o assunto! Além disso, ter exames ótimos no papel nem sempre quer dizer que você está saudável! O contrário também é verdadeiro, pense nisso!

Esteatose Hepática (Fígado Gorduroso)

Parece muito lógico pensar, “se eu comer mais gorduras, corro o risco de ter um fígado gorduroso”. Mas o que os estudos mostram é o seguinte: O que leva ao acúmulo de gordura no fígado é a conversão do excesso de glicose e frutose em triglicerídeos no próprio fígado. Se esta produção de triglicerídeos excede a capacidade do órgão de exporta-los, eles acumulam nos hepatócitos (células do fígado).

Em um estudo, onde voluntários foram submetidos a uma dieta com alta quantidade de frutose, em apenas sete dias, ocorreu a produção de esteatose hepática nos voluntários. Em outro estudo, foram utilizados indivíduos que já tinham esteatose hepática e os mesmos foram submetidos a uma dieta com alto consumo de gorduras e baixa em carboidratos, e em apenas três dias já houve melhora da esteatose.

Mais uma vez poderia ficar aqui horas e horas falando de inúmeros estudos, mas só quero deixar a mensagem de que aumentar o consumo de gorduras na dieta NÃO vai aumentar o estoque de gorduras em seu fígado!

Como a mídia tem encarado esse fato?

Estas são duas capas da revista norte-americana Time com 30 anos de diferença. Na primeira uma matéria condenando fortemente o consumo de gorduras. Já na segunda, uma brilhante matéria da jornalista Nina Teicholz, mostrando todo o contexto histórico do mito das gorduras e o porquê elas não devem ser evitadas!

Parece que aos poucos a mídia tem observado o quanto errou ao condenar as gorduras, mas como a influência financeira na mesma é muito grande, essas mudanças ocorrem de maneira bem lenta, ou você acha que a gigante indústria do açúcar e dos óleos vegetais não têm forte influência no que é divulgado mundo afora?

Mas todas as gorduras são boas então?

Ok, estou te informando que gorduras saturadas não fazem mal a saúde, mas existe algum tipo de gordura então, que faz mal a saúde? SIM, temos, vou listas quais são elas!

Existem basicamente dois tipos de gorduras que você deve evitar.

1- Gorduras trans: São gorduras monoinsaturadas submetidas a um processo de hidrogenação (o que aumenta seu tempo de prateleira). São encontradas em alimentos processados como: sorvetes, biscoitos recheados, margarina, refeições congeladas, entre outros. Os estudos mostram que estas sim, estão associadas a um maior risco de morte por doença cardiovascular.

2- Óleos vegetais ricos em gordura poliinsaturada ômega-6: O ômega-6 consumido em grande quantidade, é inflamatório, e está também associado com o aumento do risco de doença cardiovascular. Quais óleos são esses: Óleo de milho, de girassol, de soja, de canola, entre outros.

Um estudo gigante (ensaio clínico randomizado) mostrou os efeitos de substituir a manteiga, por óleo de milho. Os resultados mostraram que o colesterol dos investigados reduziu com essa troca, porém AUMENTOU as mortes provenientes de doença cardíaca, o que é mais importante.

Conclusão:

A ideia aqui não é que você acabe de ler esse post e vá pular de cabeça em uma tigela lotada de gorduras saturadas, mas é apenas que você NÃO TENHA MEDO de consumir alimentos cotendo as “condenadas” gorduras saturadas.

Não tenha medo da manteiga, não tenha medo do leite integral, daquele delicioso queijo amarelo, da pele do frango, daquela deliciosa capa de gordura da picanha, sem falar do maravilhoso bacon.

Você deveria mesmo era ter muito medo do consumo desenfreado de açúcar, mas isso é assunto para outro post.

Até mais leitores.

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Referências:

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