Dieta Cetogênica: É Preciso Temer o Bafômetro?

Hoje em dia, muitos nutricionistas utilizam como estratégia dietética para emagrecimento da adoção de dietas cetogênicas, lowcarb ou de jejum intermitente.

Não entrando no mérito das particularidades inerentes a prescrição dessa conduta, mas tendo em vista o aumento da procura por essas condutas. O aumento da queima de gordura e consequente oxidação dos ácidos graxos pelo tecido muscular esquelético, pode aumentar a concentração de cetonas no sangue. É importante lembrar que o grau dessas concentrações é MUITO DIFERENTE, entre pessoas saudáveis que por ventura ficam longos períodos em jejum por exemplo, que indivíduos DIABÉTICOS.

Bom, você sabia que pessoas com cetogênese aumentada correm o risco de ser pegas no bafômetro?

É o que relata um estudo de caso publicado no International Journal of obesity. Nele os pesquisadores relatam o caso de um homem de 59 anos de idade, que adotava uma dieta de baixas calorias. Que ao tentar dirigir seu carro equipado com um dispositivo similar ao bafômetro, foi impedido pelo sistema automotivo de bloqueio da ignição. Acionado pela detecção de concentração de álcool “do bafo de onça ou de cana” de ligar o motor do veículo.

Entretanto o motorista não apresentava o hábito de ingerir quaisquer tipos de bebida alcoólica. Polêmico não?

Os autores, através da publicação fazem uma reflexão sobre a possibilidade de indivíduos que ficam em jejum por muito tempo podem gerar um resultado falso-positivo ao soprar o bafômetro.

Intervenções dietéticas calórico-restritivas ou compostas por longos períodos em jejum levam a cetonemia. Altas concentrações de acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirato no sangue. O bafômetro detecta o álcool (etanol) na respiração. Através de oxidação eletroquímica, mas acetona não é submetido a oxidação por este detector. No entanto, sob certas circunstâncias a acetona é reduzida no corpo a isopropanol pela álcool-desidrogenase hepática: ADH. O bafômetro responde a outros álcoois: por exemplo, metanol, n-propanol e isopropanol! O qual, por conseguinte, explicaria um possível  resultado falso positivo. Este “efeito colateral” da dieta cetogênica, portanto precisa de uma discussão mais aprofundada por parte das autoridades quando as pessoas envolvidas no trabalho sensíveis à segurança (por exemplo, motoristas de ônibus e pilotos de avião).

 E aí? Será essa uma recomendação de cuidado aos adeptos do jejum intermitente ou dietas cetóticas?

 Referência:

Jones AW, Rössner S. False-positive breath-alcohol test alter a ketogenic diet. Int J Obes (Lond). 2007 Mar;31(3):559-61.

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