Dificuldades e Problemas ao Escolher O Exercício Físico: O que Fazer?

A prática regular de exercícios físicos é um importante otimizador metabólico. Através da contração muscular, independentemente do nível da intensidade ou duração do estímulo provocado no músculo, nosso corpo desenvolve adaptações capazes de sensibilizar positivamente a ação de hormônios, fatores de crescimento, proteínas e carboidratos, além de proteínas e enzimas diretamente associadas ao quanto nosso corpo torna-se capaz de metabolizar substratos energéticos como a gordura.

Esses fatores repercutem na composição corporal, tanto para a perda de gordura quanto para o ganho de massa muscular, principais justificativas daqueles que procuram o exercício físico como catalizador do emagrecimento ou hipertrofia muscular.

No entanto, manter uma rotina ativa é um difícil hábito. A ausência da prática de exercícios físicos também está associada a fatores que, embora não sejam considerados principais, são importantes e muitas vezes não dependem somente do praticante, como é o caso do nível econômico, infra-estrutura de parques públicos, acessos a práticas de lazer, etc. Por outro lado, em sua grande maioria, o principal componente que justifica o sedentarismo é a falta de motivação para realizá-lo de maneira crônica e com isso aderí-lo como hábito de vida.

Muitos justificam a não aderência porque não sabem escolher o melhor exercício para emagrecer. Mas qual seria?

Sabe-se que tanto a musculação quanto exercícios aeróbicos promovem importantes adaptações em nosso corpo, capazes de melhorar o funcionamento do processamento das funções vitais e acionamento sobre a utilização das reservas de energia, tanto diretamente quanto indiretamente. Diante disso, qual deles optar para garantir essas adaptações? Qual o melhor?  O melhor exercício físico é aquele que você tem condição de realizar regularmente e que preferencialmente lhe proporcione prazer. Essa é a primeira coisa que deve entrar na cabeça de uma pessoa.

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O que pode contribuir para que alguém não goste de exercício?

Existem pessoas que podem discordar  do que eu disse anteriormente. Ou seja, podem dizer que não sentem prazer nenhum ao se exercitar. Entretanto, esse tipo de argumento pode estar atrelado à experiências passadas insatisfatórias ou sentimentos depreciativos que envolvam  umasituação específica que ocorreu no passado e que comprometeu de alguma forma a relação com o exercício.

Um dos exemplos disso são as pessoas que durante aulas de educação física eram motivos de chacota pelos colegas ou então que apresentavam baixo rendimento motor nas brincadeiras de rua e, consequentemente, eram estigmatizadas como “lentas ou de desempenho ruim”. Ou então, pessoas que foram atendidas de maneira incorreta por professores de educação física ou que se lesionaram enquanto realizavam exercícios físicos.

Diante desse panorama, como poderíamos enquanto profissionais da área de Saúde e principalmente profissionais de Educação Física reduzir os níveis de sedentarismo no mundo?

Sabe-se que aproximadamente 40% da população mundial é sedentária. Essa estimativa é muito preocupante, visto que atualmente a falta de atividade física já é considerada um dos principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Para aqueles que gostam e se exercitam regularmente, é quase uma ofensa escutar as justificativas daqueles que são sedentários. Tornam-se aos olhos dos ativos, inconcebíveis frases como : “ Estou sem tempo; Moro longe de uma academia; Não tenho dinheiro para pagar uma academia de ginástica; Não vejo resultado quando faço exercícios físicos; É chato!”

O que fazer para que as taxas de sedentarismo sejam reduzidas?

Umas das possibilidades é a construção de espaços públicos para a prática de exercícios físicos, tais como: praças, parques e quadras. Contudo, por mais que se incentive a prática, outro fator torna condição  indispensável para a segurança e prescrição que leve em consideração a individualidade biológica daquele que realiza qualquer tipo de exercício: a presença de um profissional de educação física.

Embora sejam muito válidas as iniciativas públicas de incentivo e disponibilização de práticas ativas e de lazer para a população como um todo, as políticas públicas devem se atentar à necessidade de embasamento e intervenção profissional especializada. A partir dessa condição, fica evidente a necessidade de introduzir junto a espaço públicos práticas profissionais especializadas que possam garantir a segurança e contextualização dessas práticas.

Por outro lado, os próprios profissionais de saúde devem reforçar a necessidade de políticas públicas que contemplem essa defasagem das ações que visam aumentar a prática de exercício físico.

Do ponto de vista financeiro, é muito mais vantajoso que o governo invista em programas destinados ao incentivo e,  mais importante, à efetivação de programas destinados a prática de exercício, devido ao poder que a prática regular de  atividades físicas proporciona ao corpo.

Benefícios da atividade física

Uma caminhada moderada de 30 minutos diários está diretamente associada à redução das chances de desenvolvimento de doença cardiovascular. Além disso, essa mesma quantidade é capaz de reduzir significativamente a pressão arterial de indivíduos hipertensos. Outro aspecto importante é melhora da ação da insulina em indivíduos pré-diabéticos ou já diagnosticados com diabetes.

O exercício físico é capaz de potencializar a utilização do açúcar presente no sangue. Esse, em níveis elevados, está diretamente associado à resistência à ação do hormônio insulina, estado considerado por alguns autores como pré-diabético. A partir do momento em que conseguimos “queimar” o açúcar do sangue, estamos reduzindo a resistência à ação da insulina, hormônio que permite que seu corpo capte o açúcar do sangue. Sendo que essa “queima” acontece com a utilização do açúcar como combustível que sustenta a contração muscular através do exercício

Em indivíduos já diabéticos, que em mais de 90% dos casos se deve à obesidade e às altas taxas glicêmicas (Diabetes Mellitus do tipo 2), o corpo não consegue mais produzir insulina, sendo portanto necessário o uso  externo de insulina artificial. A prática de exercícios físicos, principalmente musculação, é capaz de estimular a captação do açúcar do sangue independetemente da ação da insulina.

Isso se deve à capacidade  que a  contração muscular tem de ativar algumas enzimas celulares que disparam sinais excitatórios, permitindo que a célula muscular capte o açúcar por um mecanismo adaptativo diferente da insulina.  E justifica  porque o exercício físico melhora a eficiência da insulina administrada por diabéticos, o que leva à redução do número de “agulhadas” ao longo do dia. Você acha que isso não é nada demais? Então pergunte a um diabético o que isso representa  para ele, tanto “literalmente” na pele, quanto no bolso.

Além de todos esses benefícios, temos a melhora da utilização e estocagem de gordura do sangue e no tecido adiposo. Sabe-se que o desequilíbrio entre as variáveis lipídicas de nosso sangue (LDL, HDL, Colesterol Total, Triglicérides) está diretamente associado ao desenvolvimento dessas doenças cardiometabólicas.

Quando entendermos que é importante investir em políticas destinadas não só ao incentivo da prática de exercícios físicos, mas principalmente voltadas  para a aderência crônica à essa prática, iremos aumentar a qualidade de vida e bem-estar das pessoas ativas. Vamos também , é claro, reduzir o sedentarismo, o desenvolvimento das doenças que mais matam no mundo e também as despesas financeiras que essas doenças causam.

Essa última frase nos leva à reflexão: obter saúde é caro?

Referências:

DAVIS JC et al. 2014 consensus statement from the first Economics of Physical Inactivity Consensus (EPIC) conference (Vancouver).Br J Sports Med. 2014 Jun;48(12):947-51.

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Paes, Santiago T., Bianchini, Renato M. Obesity: How can Interventions Ensure Treatment Success? Int J Endocrinol Metab Disord 2015, 1(4): 15:21.

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