O que Emagrece Mais que O Exercício Físico?

A prática de exercício físico é um dos principais mediadores metabólicos de nosso corpo. É responsável por até 30% da taxa metabólica diária. Outros aspectos importantes da pratica de exercícios é a remodelação da composição corporal, melhora da liberação e sensibilidade hormonal. Aumento de agentes circulantes anti-inflamatórios e que estimulam a biogênese mitocondrial aumentando a termogênese e gasto energético. Melhora da ação de peptídeos centrais e periféricos que controlam a fome, saciedade e apetite. Que com isso regulam o quanto comemos e satisfação mais rápida depois de nos alimentarmos.

Por conta, desses fatores alguns autores apontam que a prática regular de exercícios físicos é o principal fator direto e indireto pelo qual conseguimos emagrecer.

Contudo, atentando-se aos aspectos hormonais que nossos músculos conseguem produzir. SIM! O músculo esquelético libera hormônios quando se contrai! Cientistas australianos concluíram que tremores de frio adicionados a sessões de exercício moderado: por exemplo, uma caminhada que te deixa levemente ofegante. São igualmente capazes de estimular a conversão da “gordura branca”, que trabalha no armazenamento de energia, em “gordura marrom”, que estimula a queima de energia. Cerca de 50 gramas de gordura branca estocam mais de 300 Kcal de energia. Por outro lado, a mesma quantidade de gordura marrom ao invés de estocar, é capaz de queimar até 300 Kcal por dia. Isso mesmo! “Gordura queimando gordura”.

A justificativa para isso é através de um mecanismo indireto estimulado pela contração muscular. E a liberação de hormônios advindos da contratilidade do músculo, permitindo que as chamas miocinas, o nome dado aos hormônios liberados pelo músculo, se comuniquem com outros tecidos. Como o adiposo, transformando células de gordura branca em células de gordura marrom para nos proteger contra o frio. Através de um processo chamado de “amarronzamento de gorduras”.

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Voltando ao assunto, o estudo mostra que durante a exposição ao frio e ao exercício, houve um aumento muito significativo dos níveis do hormônio irisina: produzido pelo músculo. E FGF21: produzido pela gordura marrom, mas que dependem da ação da irisina.

No estudo, cerca de 10 a 15 minutos de tremores resultaram em aumentos de irisina equivalentes a uma hora de exercício físico do tipo moderado.

Sabe-se que todos nascemos com estoques de gordura marrom em torno de nossos pescoços e alguns pontos de nossas costas. Essa foi a maneira pelo qual a natureza encontrou  para nos manter aquecidos quando crianças. Até poucos anos atrás, acreditava-se que essa adaptação desaparecia na primeira infância. Contudo atualmente sabemos que a gordura marrom está presente na maioria dos adultos e que pode ser potencializada através da prática de exercícios físicos. Adultos com mais gordura marrom são mais magros do que aqueles sem. Muito provavelmente por ter adquirido essa condição através dos pulsos constantes de liberação hormonal muscular devido a sessões diárias de exercícios físicos.

Portanto, se esses aspectos permitem o emagrecimento. Podemos dizer que transformar gordura branca em gordura marrom pode além de nos emagrecer, proteger nos contra o ganho de peso e suas complicações como diabetes mellitus do tipo 2, doenças cardiovasculares, entre outras. Além disso, sabe-se que níveis de glicose no sangue são mais baixos em humanos com mais gordura marrom.

A justificativa apresentada pelos autores é a de que quando estamos com frio, ativamos primeiro a nossa gordura marrom porque ela queima energia e libera calor para nos proteger. Quando essa energia é insuficiente, o músculo contrai mecanicamente, ou arrepia-se, gerando assim calor. No entanto, ainda restava solucionar como músculo e gordura se comunicavam neste processo.

Voluntários foram expostos a temperaturas de 12° a 18° C. Até que estremecessem. Amostras de sangue foram extraídas para medir os níveis hormonais e os calafrios foram detectados por dispositivos especiais colocados sobre a pele. Sentindo a atividade elétrica muscular. Os voluntários começaram a tremer perto dos 14° ou 16°, variando entre os indivíduos.

O aspecto intrigante do achado foi que o próprio exercício físico produz calor, então por que a contração muscular inicia um processo que poderia gerar ainda mais calor?

Os resultados mostraram que uma sessão de 1 hora de bicicleta, realizada  em intensidade moderada produz a mesma quantidade de irisina que tremer de frio por 10 a 15 minutos.

Os autores acreditam que a contração do exercício poderia atuar imitando as contrações dos tremores dos calafrios. Porque há contração muscular durante ambos processos e o irisina estimulada pelo exercício pode ter evoluído do ato de tremer de frio.

Contudo é importante ter prudência ao achar que a partir de hoje vais aproveitar esse período de frio, para sair correndo pelado. Ou quase né piriga? Risos! Justificando-se que fazer exercícios em baixas temperaturas ajuda a emagrecer. Pois no caso estudado, os resultados foram oriundos da exposição ao frio suave. E não aquele degelo glacial!

 Referência:

Lee P et al. Irisin and FGF21 Are Cold-Induced Endocrine Activators of Brown Fat Function in Humans. Cell Metabolism 19, 302–309, February 4, 2014

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