Comer de 3 em 3 horas Pra que?

Muitos estudos apontam que comer de 3 em 3 horas não é capaz de promover aumento da atividade metabólica do corpo, haja visto que outros fatores são comprovadamente pivôs nesse processo (atividade hormonal, atividade física, efeito termogênico dos alimentos, composição corporal) e não o possível aumento do número de refeições ao longo do dia [1,2,3,4,5].

Contudo, um estudo que acaba de ser publicado vem chamando atenção pelo resultado apresentado [6], nele os pesquisadores compararam o efeito de se realizar 6 versus 3 a 9 refeições/dia (nos mesmos horários) entre mulheres saudáveis durante 14 dias. Os resultados mostraram que não houve nenhuma diferença na composição corporal, perfil lipídico ou nos hormônios que controlam fome, saciedade e apetite (Grelina, GLP-1 e PYY). Contudo, interessantemente, o grupo das mulheres que fizeram 6 refeições/dia (3 em 3 horas), apresentou maiores valores de efeito térmico dos alimentos e também menores valores de glicose plasmática, esse último um bom marcador para o risco de diabetes.

Não entrando no mérito de se tratar de um estudo de 14 dias, efeito termogênico dos alimentos ser o menor fator metabólico entre os 3 principais (taxa metabólica de repouso até 60% e exercício físico 30% do metabolismo de repouso) tampouco a glicose plasmática não ser correlacionada com os valores de hemoglobina glicada (melhor marcador do comportamento glicêmico), os resultados são bem interessantes do ponto de vista de possíveis manejos dietéticos em prol da aderência a hábitos alimentares saudáveis.

Em contrapartida, um estudo publicado na revista diabetologia (expressiva revista do gênero) demonstrou que comer apenas o café da manhã e o almoço, apresenta maior efetividade no controle glicêmico e que esta pode ser uma conduta mais indicada para a redução da glicemia de jejum que fazer maiores refeições, no caso 6. Uma das justificativas, seria a melhora da sensibilidade hormonal principalmente de insulina, glucagon e peptídeo-c, mas salienta-se que esse estudo foi feito com diabéticos. Entretanto, tendo em vista a relação da estratificação das refeições e metabolismo os achados são intrigantes. 

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Voltando ao assunto! Bom, por outro lado, aquele que relata que comer de 3 em 3 horas, ou qualquer estratégia dietética relacionada a estratificação do número de refeições em prol da alteração do comportamento metabólico de nosso corpo,citamos:

Um estudo que avaliou 30 voluntárias que fizeram uma dieta restritiva e hipocalórica durante 3 dias. Variáveis diretas relacionadas ao metabolismo foram “trocadas” pela avaliação da taxa metabólica basal. Resultado? Em 3 dias de restrição calórica severa, não houve modificação da taxa metabólica basal. Restrição calórica aguda, mesmo severa, não “desacelera” o metabolismo, ou seja, não foi capaz de modular o funcionamento metabólico do corpo [2].

Outro estudo, avaliou 16 voluntários, 8 homens e 8 mulheres, submetidos a jejum em dias alternados, ou seja, dieta normal em um dia, e jejum no outro dia, por 22 dias consecutivos. Segundo o senso comum nutricional, seu metabolismo deveria ficar muito mais lento com todo esse jejum, e mais lento ainda nos dias de jejum quando comparado aos dias de alimentação normal. Não foi o que aconteceu. A taxa metabólica em repouso não mudou do início ao fim do estudo, ou de dias alimentados para dias em jejum. Nem mesmo a temperatura do corpo mudou. Não estamos falando em pular uma refeição, estamos falando em pular todas as refeições por 24 horas.[3]

Além desses supracitados, outro estudo avaliou o efeito do jejum de 12, 36 e 72 horas, entre os quais diversos marcadores fisiológicos foram medidos num dado grupo composto de homens e mulheres. Como resultado, foi observado um aumento da taxa metabólica basal. Veja bem, essas pessoas não estavam comendo a cada 3 horas, estavam comendo a cada 3 dias! Ainda assim, o metabolismo basal não foi reduzido, muito pelo contrário ele aumentou.[4]

Para finalizar (UFA!!) Temos 10 voluntários do sexo masculino que foram alimentados com comida suficiente para atingir suas necessidades calóricas diárias, e depois disso foram submetidos alternadamente a uma alimentação dividida em apenas duas refeições por dia ou dividida em sete refeições por dia. O resultado? A frequência da alimentação não afetou em nada a taxa metabólica basal ou o gasto energético total dos indivíduos.[5]

Referências:

1.Bellisle F, McDevitt R, Prentice AM. Meal frequency and energy balance. Br J Nutr. 1997 Apr;77 Suppl 1:S57-70.
2.Keim NL, Horn WF. Restrained eating behavior and the metabolic response to dietary energy restriction in women. Obes Res. 2004 Jan;12(1):141-9.
3. Leonie K Heilbronn et al. Alternate-day fasting in nonobese subjects: effects on body weight, body composition, and energy metabolism. Am J Clin Nutr 2005 
vol. 81 no. 1 69-73

4. Webber J, Macdonald IA. The cardiovascular, metabolic and hormonal changes accompanying acute starvation in men and women. Br J Nutr. 1994 Mar;71(3):437-47.
5. Verboeket-van de Venne WP, Westerterp KR, Kester AD Effect of the pattern of food intake on human energy metabolism. Br J Nutr. 1993 Jul;70(1):103-15.
6. Maha H Alhussain et al. Irregular meal-pattern effects on energy expenditure, metabolism, and appetite regulation: a randomized controlled trial in healthy normal-weight women. Am J Clin Nutr, 2016.
7. Hana Kahleova et al. Eating two larger meals a day (breakfast and lunch) is more effective than six smaller meals in a reduced-energy regimen for patients with type 2 diabetes: a randomised crossover study. Diabetologia, 2014.

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