Quando é Inapropriado Fazer HIIT?

A prática regular de exercícios físicos é indubitavelmente importante para a melhora da saúde. Contudo, devido ao componente estético no qual é capaz de modular e tornear o corpo de quem a pratica. Muitas pessoas utilizam-na como recurso para melhora da aparência.

O treinamento físico intervalado de alta intensidade tem sido proposto como uma boa ferramenta para a otimização do gasto energético. E também redução do percentual de gordura. Sendo considerado atualmente por muitos como o santa graal do emagrecimento através da prática de exercícios.

Entretanto, isso é do ponto de vista das ciências que estudam as inter-relações entre treinamento físico e variáveis biopsicossociais preocupante.

As inúmeras valências psicofísicas em que a boa e saudável prática de exercícios requer pode estar longe de ser contemplada por aqueles que utilizam o HIIT como estratégia de emagrecimento. Isso porque, as exigências adaptativas requeridas por uma prática segura: neurais, tensionais, biomecânicas, cinesiológicas, fisiológicas, cognitivas, proprioceptivas, ergonômicas, psicológicas, emocionais, interpessoais, ambientais, e outras. OK! VOU PARAR. Na grande maioria das vezes não é apresentada pelos praticantes.

Num mundo onde mais da metade da população é sedentária. É importante ter prudência e olhar interdisciplinar sobre a banalização da prescrição do treinamento física. E também a venda de corpos construídos sem levar em consideração os diversos aspectos exigidos para a prática segura e contextualizada de exercícios físicos.

Grande parte de pesquisadores que utilizam as estratégias de exercícios físicos baseada em  sprints intervalados de alta intensidade, seguidos de períodos de baixa intensidade.  Afirmam que esse tipo de treinamento não deve ser utilizado pela maioria da população sedentária ou que não tem o hábito de se exercitar,. Portanto é necessário cautela antes que a adoção de tais práticas seja prescrita  ao público em geral. Uma das justificativas é a de que os argumentos em que se baseiam os disseminadores da adoção desse tipo de protocolo têm-se centrado quase exclusivamente nas adaptações fisiológicas .

No entanto, uma visão focal exclusiva apenas em uma única variável, no caso o efeito fisiológico,  deixa de considerar se uma população sedentária, idosa, pouco ativa ou ainda que detenha baixa consciência corporal e adaptações neuromusculares. Irá se sentir preparada e fisicamente capaz. Além de suficientemente motivada para assumir e manter um regime exercício de alta intensidade. 

Com base nessa linha de raciocínio e concomitantemente associada aos aspectos psicológicos do esporte/exercício, a participação de grande parte da população é susceptível a ser considerada inapropriada, controversa e do ponto de vista de aderência, árdua e passível de evocação de um sentimento de ineficiência e incompetência por aqueles que possam apresentar baixa adesão e sucesso ao protocolo, o que aumentaria os estados de baixa auto-estima, auto-depreciação e ineficiência, aumentando as chances de abandono ao exercício físico e eventualmente o olhar sobre a utilização dessa terapêutica para obtenção de saúde e qualidade de vida.

Contextualizar a prescrição de exercícios físicos é fundamental. Ofertar novas opções ao praticante ou adequá-la as necessidades, restrições ou ambiente social inserido pela pessoa que a procura é também uma importante qualidade do bom profissional de educação física e deve também ser desenvolvida como valência profissional.

Referência:

Hardcastle SJ et al. Why sprint interval training is inappropriate for a largely sedentary population. Front. Psychol, 2014.

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