Como Melhorar Sua Performance na Corrida com Uma Simples Estratégia?

Nem todos os indivíduos respondem de maneira similar a um programa de atividade física. Alguns deles, simplesmente não demonstram aumentos significativos no consumo máximo de oxigênio (VO2máx) através das recomendações atuais de atividade física (>150 minutos/semana de exercício de endurance de intensidade moderada). Mesmo que diversos indivíduos realizem exercícios idênticos, alguns deles terão melhoras no desempenho maiores do que outros. Além disso, alguns pesquisadores ainda sugerem a possibilidade de alguns indivíduos não apresentarem melhora alguma. A prevalência dessa “não-resposta” ao treinamento têm sido reportada em atingir aproximadamente 20% de indivíduos saudáveis, trazendo desafios acerca da prescrição adequada de exercício para a saúde e/ou desempenho.

Porém, os fatores genéticos responsáveis por essa variação entre os indivíduos ainda é desconhecido. Desta forma, alguns estudos têm demonstrado como a adequação individualizada da atividade física pode fazer com que essa “não-resposta” ao treino, desapareça, tornando os indivíduos “não-responsivos” em “responsivos”.

Como é o caso de um atual estudo publicado este mês no Journal of Physiology. Dividido em duas partes, a primeira delas consistiu na divisão de 78 participantes saudáveis em 5 grupos. Todos os grupos realizaram o mesmo treinamento de 60 minutos de ciclismo, incluindo a mistura de sessões moderadas e intensas. A única diferença, foi que os grupos realizaram 1, 2, 3, 4 ou 5 sessões por semana. Após 6 semanas de treinamento, a capacidade física dos participantes foi avaliada através do VO2máx, potência máxima, exames de sangue e biópsias musculares.

Como parâmetro para definir os participantes como “responsivos” ou “não-responsivos” ao treinamento, eles utilizaram a potência máxima atingida no teste máximo. Os pesquisadores mostraram através de testes estatísticos (variação do teste – reteste da medida), que qualquer aumento menor do que 4% seria considerado “não-responsivo”.

Após as primeiras 6 semanas de treinamento, muitos participantes que treinaram 1 ou 2 vezes por semana foram incluídos no grupo “não-responsivo”, enquanto que TODOS os que treinaram 4 ou 5 vezes, foram incluídos como “responsivos”, sugerindo que a resposta ao exercício é uma função da quantidade de exercício realizada.

O que a segunda parte do estudo fez, foi pegar os participantes definidos como “não-responsivos” e testar a hipótese de que se eles realizassem um maior volume de treinamento, eles melhorariam. Assim, todos os participantes “não-responsivos” voltaram ao laboratório para mais 6 semanas de treinamento, porém com um aumento de 2 sessões de treino por semana, independente de qual protocolo eles realizaram anteriormente (1, 2 ou 3 vezes por semana).

E TODOS os participantes, saíram da zona de “não-responsivos”, melhorando suas condições físicas. E o que isso significa? Que mesmo que inicialmente, você não esteja satisfeito com seus resultados iniciais, você pode melhorar seu condicionamento de forma satisfatória, desde que você se exercite de forma vigorosa e com um volume maior.

Isso sugere simplesmente que não existem indivíduos “não-responsivos” ao treinamento, enquanto que haja um programa de treino individualizado para cada um, programado de forma eficiente por um profissional competente.

Referências:

Bouchard C, Sarzynski MA, Rice TK, Kraus WE, Church TS, Sung YJ, Rao DC & Rankinen T. (2011). Genomic predictors of the maximal O(2) uptake response to standardized exercise training programs. J Appl Physiol (1985) 110, 1160-1170.

Garber CE, Blissmer B, Deschenes MR, Franklin BA, Lamonte MJ, Lee IM, Nieman DC & Swain DP. (2011). American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Med Sci Sports Exerc 43,
1334-1359.

Montero D & Lundby C. (2017). Refuting the myth of non-response to exercise training: ‘non-responders’ do respond to higher dose of training. J Physiol. doi: 10.1113/JP273480.

Ross R, de Lannoy L & Stotz PJ. (2015). Separate Effects of Intensity and Amount of Exercise on
Interindividual Cardiorespiratory Fitness Response. Mayo Clin Proc 90, 1506-1514.

Colunista:

Guilherme matta

@guilhermematta

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