Álcool e Hipertrofia

O consumo de bebidas alcoólicas interfere na atividade fisiológica de diversos sistemas do corpo. O efeito adverso repercute negativamente na atividade neural, termoregulatória, cardiovascular e é claro no metabolismo. O aumento da síntese de proteínas, e consequente hipertrofia muscular, induzida especialmente pela treinamento de força. Sempre supervisionada pelo educador físico. Além de alimentação e atividade hormonal, é diretamente afetada pelo etanol. A musculação estimula a hipertrofia por ser capaz de aumentar a liberação de fatores de crescimento e miocinas. E também captação sarcoplasmática de cálcio, oxigênio intramuscular, demanda energética, temperatura e dano miofibrilar. Tanto por tensão muscular passiva quanto contrátil ativa, cuja ação incide principalmente sobre as fibras brancas do tipo II, especialmente as IIx.

As mais importantes vias moleculares hipertróficas envolvem proteínas com atividade quinase e fosfatase, e moléculas que modulam a adição ou remoção de grupos fosfatos de/em um específico substrato. Além disso, outro mecanismo importantíssimo envolve a translação ribossômica via transcrição do RNA mensageiro. Assim, acionados, por exemplo, via exercício ou hormônios (Testosterona, DHEA e GH/IGF-1), uma cascata de reação na célula muscular, ativa sinais celulares que chegam ao complexo PKB/Akt, via PI3 quinase, ativando a mTOR, que por sua vez gerencia via fosforilação a atividade subsequente da proteína S6 quinase e por outro lado inicia a translação do fator eucariótico eIF4E e estimula a atividade do mRNA, culminando na síntese de proteínas, e consequente hipertrofia.

O Etanol e seus metabólitos secundários, inibe toda essa atividade tanto por afetar a ação desses hormônios anabólicos e fatores de crescimento quanto, principalmente, por potencializar a atividade adrenocorticotrópica e consequente atividade dos hormônios do córtex adrenal, em especial o mais catabólico de todos o cortisol o que inibe a síntese e aciona os mecanismos das vias de degradação proteica. Após o consumo de 1,75g/kg de etanol, o pico de cortisol, após 4 horas, é capaz de persistir por até 24 hrs. Aumentando a atividade catabólica muscular. Entretanto, a alimentação mostra-se capaz de reduzir o catabolismo, mais um ponto positivo para o nutricionaista, não? 

Referência:

Bianco et al. Alcohol consumption and hormonal alterations related to muscle hypertrophy: a review Nutrition & Metabolism 2014, 11:26

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